domingo, 19 de fevereiro de 2012

"Assombrados: Uma História Americana" [Texto em construção]

É um daqueles filmes que os jornais distribuem grátis [ou quase] em DVD e pelos quais ninguém [nenhum cinéfilo que se preze, seguramente!] muito legítima e muito justamente, aliás, tem qualquer consideração ou respeito.
Isto, no caso de ter paciência para vê-los...
Eu tenho até porque, como digo noutro lado, sou fã do género, que considero sempre de uma perspectiva antropológica, convicto de que as sociedades falam pelos seus objectos pop, ou, se assim se preferir dizer, das diversas formas da sua subcultura.
Estes "Assombrados", que tem Sissy Spacek e Donald Sutherland no cast é um filme típico da produção norte-americana, um filme onde a culpa é, de facto, o principal protagonista.
Mas, como noutro lugar observo a propósito de Dreyer e do seu clássico "Ordet", uma culpa caracteristicamente luterana, protestante.
Uma das grandes conquistas filosóficas e mesmo civilizacionais do Cristianismo que a Reforma deixou que se perdesse consiste no reconhecimento do direito individual à culpa, algo que as religiões pagãs que antecederam o cristianismo em geral ignoraram, dissociando ou alienando a culpa do arbítrio individual e remetendo toda a questão para o domínio do arbitrário, configurado por exemplo, no Destino, como sucede na tragédia grega e nas respectivas "cópias" romanas.
Esta dissociação ou alienação do indivíduo e da culpa opera-se, a meu ver, no pensamento luterano a partir do modo como este reagindo contra

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