domingo, 19 de fevereiro de 2012

"Assombrados: Uma História Americana" [Texto em construção]

É um daqueles filmes que os jornais distribuem grátis [ou quase] em DVD e pelos quais ninguém [nenhum cinéfilo que se preze, seguramente!] muito legítima e muito justamente, aliás, tem qualquer consideração ou respeito.
Isto, no caso de ter paciência para vê-los...
Eu tenho até porque, como digo noutro lado, sou fã do género, que considero sempre de uma perspectiva antropológica, convicto de que as sociedades falam pelos seus objectos pop, ou, se assim se preferir dizer, das diversas formas da sua subcultura.
Estes "Assombrados", que tem Sissy Spacek e Donald Sutherland no cast é um filme típico da produção norte-americana, um filme onde a culpa é, de facto, o principal protagonista.
Mas, como noutro lugar observo a propósito de Dreyer e do seu clássico "Ordet", uma culpa caracteristicamente luterana, protestante.
Uma das grandes conquistas filosóficas e mesmo civilizacionais do Cristianismo que a Reforma deixou que se perdesse consiste no reconhecimento do direito individual à culpa, algo que as religiões pagãs que antecederam o cristianismo em geral ignoraram, dissociando ou alienando a culpa do arbítrio individual e remetendo toda a questão para o domínio do arbitrário, configurado por exemplo, no Destino, como sucede na tragédia grega e nas respectivas "cópias" romanas.
Esta dissociação ou alienação do indivíduo e da culpa opera-se, a meu ver, no pensamento luterano a partir do modo como este reagindo contra

sábado, 18 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Horse Soldiers (Misión de Audaces)



John Ford e a estética da deslocação de tropas. [Ver entrada imediatamente a seguir]

Captain Buffalo - Original Record (Sergeant Rutledge/USA 1960) - Buffalo...



Um rrealizador que especialmente aprecio: John Ford.
Poucos realizadores lograram como ele, captar o lado ilusoriamente épico e perigosamente atraente da guerra, sem deixar, como por exemplo, neste notabilíssimo "The Trial of Sergeant Rutledge" [estreado entre nós, salvo erro no "Condes"] de olhar para o que para além desse lado existe de menos nobre e susceptível de admiração.
No papel título, o sempre voluntarioso Woody Strode.

"O velho Rex à Almirante Reis..."

...onde pela primeira vez e quase por acidente, à custa de uma "balda" às aulas da saudosa "Luís de Camões, um pouco mais acima, no primeiro andar da "Delta"vi absolutamente extasiado o fabuloso "M..." do inimitável Lang.

Mon Oncle — Parking, no Trafic



Um momento de Cinema verdadeiramente antológico. Tati genial como Chaplin!

Jaques Tati - Mon Oncle (Kitchen Scene)



Um filme e uma personagem absolutamente geniais!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Sara Montiel- La Violetera


Uma canção que faz parte integrante do meu imaginário cinéfilo. Tão melodicamente insinuante e impressiva que Chaplin a escolheria, algo clandestinamente, para a banda sonora do seu inesquecível "City Lights". Depois de Raquel Meller, que originalmente, a criou, Sara Montiel celebrizou-a através do cinema, numa interpretação de facto muito eficaz numa película, por sua vez, ao invés de todo perecível...
O que, em tempos se chamou um típico filme "de Odeon", saudosa sala de cinema de Lisboa onde ocorreram, como tanta gente da minha geração estará ainda hoje lembrada, algumas das coisas cinematograficamente mais horríveis alguma vez apresentadas em público...

Ben Gazzara [ 28 de Agosto de 1930 -12 de Fevereiro de 2012]

Numa altura em que toda a gente fala do desaparecimento da cantora Whitney Huston, recordemos, por momentos outro nome importante do mundo do espectáculo que nos deixou também recentemente: o actor norte-americano de origem italiana, Ben Gazzara [na foto com Peter Falk, no clássico de John Cassavettes, "Husbands" de 1970, Cassavettes um actor/realizador com quem Gazzara trabalharia ainda em 1976, no menos conhecido "The Killing of a Chinese Bookie" e, no ano seguinte contracenando com Gena Rowlands, em "Opening Night".
Um dos últimos papéis deste excelente actor formado no Actor's Studio, foi em "Dogville" de Lars von Trier, contracenando com Nicole Kidman.
Já antes, porém, havia feito para Marco Ferreri o notável "Contos da Loucura Normal" encarnando a personagem do escritor Charles Bukovski.
No teatro, Gazzara, dirigido por Kazan, fez o papel que no cinema, com Richard Brooks, seria de Paul Newman em "Cat On A Hot Tin Roof" de Tenesseee Williams.
Outro grande triunfo, desta vez cinematográfico, de Gazzara foi em "Anatomy Of A Murder" de Preminger em 1959.
Embora formado na escola onde foram formados Marlon Brando e, por exemplo, L.J. Cobb, Gazzara foi um actor caracterizado, sobretudo, pelo registo contido, sóbrio, não muito dado a excessos idiossincráticos do tipo dos que celebrizaram o intérprete d' "O Selvagem" e "Streetcar Named Desire".

sábado, 11 de fevereiro de 2012

"Moon River" por Audrey Hepburn

http://youtu.be/xNcZx2G9ifw

"The Traveler" de Michael Oblowitz [texto em construção]



The
Traveller” de Michael Oblowitz: um filme apinhado de pistas de
abordagem, um verdadeiro tesouro de sugestões para o fã do género “terror gore” que, por mais de uma [intelectualmente
respeitável, quero crer!...] razão, eu
próprio admitidamente sou…
Devo dizer que no “genre” me interessam
sobretudo os hipertextos, as transliteralidades ou, se assim se preferir dizer,
com Freud, o seu conteúdo latente.
“Poltergeist”,
por exemplo, não pode, a meu ver, ser realmente compreendido sem se ler nas
entrelinhas um posicionamento autocrítico e simbolicamente auto-expiatório
relativamente à “questão índia” nos E.U.A. assim como à indiferença da classe
média norte-americana, apenas concentrada em fazer dinheiro, “triunfar” [“to make it professionally”] e
anestesiar-se intelectual e moralmente diante da televisão, aliás, um dos principais
“protagonistas” do filme de Hooper.
Existe um estudo muito interessante

Doctor Zhivago - Lara's Theme