
Abro a sessão nesta fila M com uma notícia bem triste: o desaparecimento de Maria Lealdina Nunes da Silva de Morais e Castro, mais conhecida, como Linda Silva que foi viúva de um outro conhecido actor José Morais e Castro e irmã de Ivone Silva.
De todos eles como de tantos outros bons actores nacionais se pode [e, a meu ver, deve!] dizer que foram as principais vítimas da crónica 'crise' nacional: a económico-financeira, claro mas também a persistente crise do Teatro e do Cinema portugueses que obriga excelentes actores a corromper o seu talento, ao pô-lo ao serviço do miserável tipo de espectáculo que passa entre nós pela pomposa designação de "ficção nacional", vulgo "telenovelas", essa herdeira bastarda dos tradicionais folhetins e das fotonovelas dos anos '50 e '60, quando não passava ainda de "literatura de costureiras e empregadas domésticas", um público compreensivelmente pouco exigente para quem apenas um tipo muito primário de representação permite "compreender" as inverosimilhanças que constituem invariavelmente o conteúdo das "obras", sejam elas radiofónicas, inmpressas ou televisionadas.
Conversando cero dia com a Actriz Custódia Gallego, tive ocasião de lhe referir que há muito já a conhecia.
A pergunta que me fez em seguida diz tudo sobre quanto atrás refiro: "Da televisão? Das «novelas»?...
Ora, as ditas «novelas» que, do meu ponto de viasta além de infectarem como digo tecnicamente os actores, contaminam de igual modo a própria linguagem do Cinema [que não são, de resto!] e a nossa percepção e apreciação ulterior do mesmo.
Quando no café falei de Linda Silva a alguns vizinhos, ouvi o espwerado: "Ah! Era aquela da Floribella, não era?"
Era mas, se calhar era muito mais do que isso. Só que a miséria do espectáculo entre nós onde apenas a mediocridade e a acefalia realmente compensam a isso, de algum modo, a reduziu e condenou.
O seu desaparecimento como "aquela da «Floribella»" ou dessa indescritível e oportunista inanidade que recebeu a inqualificável designação de "Rebelde Way" deveria finalmente poder suscitar a reflexão sobre o modo como uma certa ideia supostamente "popular" de enttretenimento nos vai como sociedade tornando cada dia um pouco mais difícil perceber e apreciar a qualidade, sobretudo cinmematográfica e/ou teatral.
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